domingo, 10 de agosto de 2014

A crise mundial atual e o distributismo


Quando se fala em propriedade privada vêm-me logo à cabeça 2 formas diferentes de a encarar : o comunismo e o capitalismo. Na primeira, não há propriedade privada e tudo é de todos. Na segunda , o mercado e a lei dos mais fortes prevalecem numa atitude de puro individualismo egoísta. Ambas falharam. Mas nunca a obsessão pela propriedade esteve tão na ordem do dia, sobretudo se olharmos para a origem de uma parte significativa dos conflitos em tribunal, no Médio Oriente ou no leste da Ucrânia. Em todos eles verifica-se um denominador comum: o da a ganância pelo domínio e pela propriedade.

No passado dia 5 de Agosto, o Patriarca Caldeu do Iraque, numa carta desesperada dirigida ao mundo, a propósito do avanço dos selvagens extremistas islâmicos dizia o seguinte " Há que destacar que a motivação para todas estas matanças é a luxúria por tudo quanto existe no subsolo, tal como o petróleo e o gás”.

 
No estado da evolução humana, já devíamos estar há muito na posição da supremacia e instrumentalização da propriedade a favor da humanidade e não à patética e cretina situação da supremcia e instrumentização da humanidade em função da propriedade.

Vale a pena matar crianças e semear a morte e a destruição por dinheiro ?

As empresas que lucram com o comércio internacional de armas, extracção de  petróleo e gás e que manipulam e financiam o terrorismo religioso com vista à sua especulação mercantil acham que si.

Não sejamos hipócrita, o dinheiro, a produção de riqueza e o bem estar não são só, de per si, maus. O que é mau é a forma gananciosa como os proprietários gerem os seus bens. E é triste ver que até mesmo os jovens ou as pessoas mais humildes, quando têm algum dinheiro, torram-no rapidamente em futilidades consumistas e isto já para não falar nos comunistas burgueses ou na chamada “esquerda caviar” dos que defendem os ideais de Marx e Engels mas depois actuam como capitalistas da pior espécie.

Há, porém, alternativas a estas visões extremas de ver a propriedade. Dessas destaco a da chamada função social da propriedade privada e o distributismo. Em ambas defende-se o direito à propriedade privada e à livre iniciativa, mas defende-se também que a propriedade privada deve estar, sempre que possível, ao serviço da comunidade.

Com diz  Miguel Nogueira de Brito, no seu livro "Propriedade privada: Entre o privilégio e a liberdade", da colecção "Ensaios da Fundação" Francisco Manuel dos Santos "(...)o princípio da comunidade corresponde ao ponto a partir do qual a função social da propriedade deixa de incumbir ao legislador e passa a constituir um imperativo ético individual" (Pág. 128).

Por esta via, qualquer pessoa que tenha dinheiro, casas, carros, etc.. deve colocá-los ao serviço de colegas, amigos e vizinhos que, por motivo de contexto pessoal, profissional ou familiar não o têm. Isto pressupõe um enorme sentimento de desprendimento que é muito raro encontrar.

Já o distributismo, tendo a mesma raíz da função social da propriedade privada, vai mais longe e defende a sua adopção como sistema económico global, mas parte também da constatação de que tem sido a ganância pelos bens materiais que, ao longo da história, tem vindo a destruir famílias tanto nos tribunais como nos campos de batalha. Não deixa de ser significativo que um dos seus arautos G.K. Chesterton tenha escrito um livro denominado “What’s wrong with the world”.

Uma coisa é certa, há que promover uma revolução que passe 1º por uma mudança de mentalidades. Poderá demorar gerações, mas há que começar já !

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