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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O aborto legal está fora de controlo

É com 35 mil assinaturas que um movimento de cidadãos pretende obrigar o Parlamentar a apreciar e a votar um conjunto de alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG) e implementar medidas de "apoio à maternidade e paternidade". 

As modificações passam, por exemplo, por "pôr termo à actual equiparação entre IVG e maternidade para efeitos de prestações sociais", obrigar as grávidas a assinar as ecografias feitas para determinação do tempo de gestação e a aplicação de taxas moderadoras neste acto. 

"Portugal é dos poucos países europeus, se não mesmo o único, em que o aborto legal é gratuito", diz, em entrevista à Renascença, António Pinheiro Torres, advogado, antigo deputado do PSD e um dos rostos da iniciativa "Pelo Direito a Nascer". 

Querem obrigar o Parlamento a apreciar um conjunto de mexidas na lei da interrupção da gravidez. O que vos levou a avançar para esta petição? A sociedade portuguesa já percebeu, até pelos resultados da lei do aborto, que aquilo que aconteceu ultrapassou as piores expectativas que se podiam ter quando em 2007 o assunto foi discutido. 

Fazem um balanço negativo da lei. Mas o número de abortos está na média europeia ou é mesmo mais baixo. Uma em cada cinco gravidezes em Portugal termina em aborto. Temos 80 e tal mil nascimentos por ano e cerca de 19.800 abortos. É um número completamente trágico. A medida do impacto do aborto na saúde pública faz-se comparando-o com o número de gravidezes. Sabemos que um quarto destes abortos legais são de mulheres que abortam mais do que uma vez. E crescem os episódios de infecções na consequência da prática do aborto legal. Infelizmente, a prática do aborto legal em Portugal está completamente fora do controlo. 

Além disto, existe o aspecto muito gravoso e chocante do financiamento que o Estado faz ao aborto, concedendo uma licença de "parentalidade" de 15 a 30 dias paga a 100% - é uma situação sem qualquer comparação com outro acto praticado no Serviço Nacional de Saúde. Este aspecto da gratuitidade – [o aborto] também não paga taxas moderadoras, independente do rendimento da mulher – é bastante escandaloso e não estava implícito na resposta "sim" no referendo de 2007. O que se decidiu foi a despenalização do aborto e não que o Estado financiasse e desse incentivos à prática do aborto legal. 

Também por essa razão é que muitas vozes autorizadas da campanha do "sim", como o doutor Miguel Oliveira e Silva, vêm agora dizer que é necessário olhar para aquilo que aconteceu e corrigir os aspectos mais gravosos desta lei. 

A Direcção-geral da Saúde alerta que aplicar taxas moderadoras à IVG podia levar a um aumento do aborto ilegal. Se assim fosse, em relação a todos os outros actos médicos praticados no SNS, a existência de taxas moderadoras faria com que as pessoas não recorressem ao SNS. E, por outro lado, se existem pessoas que têm os meios financeiros necessários, por que não hão-de pagar como pagam qualquer outro acto? E quatro em cada cinco utentes do SNS não pagam taxas moderadoras, estão isentos. 

Quanto deveria custar um aborto? Não lhe sei dizer. Portugal é dos poucos países europeus, se não mesmo o único, em que o aborto legal é gratuito… 

OA esquerda quer manter a isenção de taxas moderadoras na IVG. O PSD e o PP têm adiado a discussão da questão. Têm esperança que isso mude? No referendo de 2007 os dois lados da questão estavam de acordo que o aborto não era desejável. O que se pretendia era apenas a sua despenalização. Corresponde a um sentimento da sociedade portuguesa, espero que a maioria saiba auscultá-lo. Por outro lado, é essa a perspectiva do seu eleitorado. Por isso, esperamos que por parte do CDS e do PSD exista uma posição positiva sobre esta iniciativa. 

A reavaliação da aplicação da lei foi aprovada no último congresso do PSD, através de uma moção da qual foi o primeiro subscritor. Por que razão o partido não avançou? É verdade que não foi dado nenhum passo por nenhum partido da maioria. Num congresso da Juventude Popular foi aprovada uma moção no mesmo sentido. É por essa razão que nos vimos obrigados a tomar esta iniciativa, para que o Parlamento seja posto perante esta questão: se quer continuar com uma situação descontrolada do aborto legal em Portugal ou se pretende olhar para esta situação e tentar remediá-la. Sobretudo, com este pensamento de impedir que uma mulher venha a abortar porque desconhece aqueles apoios a que pode aceder ou porque desconhece a realidade do acto que vai praticar – 
coisa que constatamos no nosso dia-a-dia nas associações de defesa da vida. 

Mas a lei já prevê que se dê informação às grávidas, que se fale das alternativas, que a mulher tenha noção do acto que quer realizar. Na prática não está a acontecer? 
Constatamos que também nesse aspecto no SNS ou nas clínicas privadas a situação está fora de controlo. Uma mulher que pretenda praticar o aborto legal obtém uma guia de marcha pela simples menção de que isso corresponde à sua pretensão. O que pretendemos é que algumas das previsões, que se encontram na actual regulamentação, sejam efectivas. 

A nossa experiência no contacto diário com estas mulheres é que muitas vezes elas não têm noção do tipo de apoios a que podem aceder e algumas, tendo essa noção, desistem de fazer o aborto. Penso que é esse o objectivo de toda a gente, do "sim" ou do "não": que exista menos aborto em Portugal. Por isso é que fizemos estas propostas concretas que desenvolvem ou tornam obrigatórias algumas das previsões que se encontram na lei.

Dizem que vários aspectos dos regimes de faltas e licenças laborais e de apoios sociais equiparam o aborto ao nascimento. Esse subsídio é concedido quando as intervenções são "impeditivas de actividade laboral, medicamente certificadas", entre 14 e 30 dias depois. Não basta?
O que acontece é que são equiparados a alguns dos benefícios da maternidade, na lei do trabalho, na Segurança Social, à interrupção voluntária da gravidez. É por essa via que as pessoas que fizerem aborto legal têm direito a esses mesmos subsídios e licenças. Sugerimos estas modificações para que, se existir a necessidade de uma baixa médica, ela deve ser concedida como em qualquer acto do SNS, sem que haja uma situação de privilégio em relação a qualquer acto praticado. 

Segundo a DGS, só uma pequena parte das mulheres que interrompem a gravidez solicita licenças pagas pela Segurança Social. A questão é a seguinte: uma parte recorre a essa licença. Está a gozar de uma situação de privilégio em relação a qualquer outra mulher que pratique qualquer outro acto no SNS e essa distinção é uma injustiça. É uma questão de igualdade. Incentivar o aborto através de condições excepcionais leva a que o aborto legal seja mais praticado. 

Quando se fala em taxa de reincidência, a DGS situa-a em 1%, enquanto os movimento contra a IVG falam em cerca de 25%. A que se deve esta discrepância? 
Olhando para os relatórios da própria DGS constata-se que um quarto das mulheres que pratica o aborto já o fez anteriormente. O que a DGS faz quando apresenta essa percentagem é calcular apenas em relação às mulheres que o praticaram no próprio ano. Mas há uma coisa extraordinária: hoje em dia quem surge em defesa da lei é um organismo oficial do Estado, a quem só compete aplicar a lei e não ser a tribuna de defesa da própria lei. 

Por que razão defendem também que o pai tenha uma palavra na hora de decidir abortar? Temos uma situação paradoxal: se uma mulher decidir proceder com a sua gravidez pode depois exigir responsabilidades ao pai, mas o pai em relação à decisão sobre o aborto legal não tem qualquer palavra. São os dois que fizeram o filho, logo era normal que ambos participem em tudo o que diz respeito à vida do seu filho. Infelizmente, no actual quadro legislativo basta a vontade da mãe. Não faz qualquer sentido que só ela possa decidir sobre a vida da criança. O que pretendemos é não deixar uma mulher sozinha perante esta circunstância dramática. 

Se o pai estiver contra o aborto e a mulher quiser fazê-lo, o que deve imperar? À face da lei portuguesa a decisão é soberana. Não deveria ser. Mas, neste momento, o progenitor nem sequer é chamado a participar nesse processo. 

Defendem que o homem deve poder impedir o aborto? Isso não faz parte da proposta que entregaremos ao Parlamento. Embora seja triste que uma mulher esteja completamente sozinha numa circunstância dessas. 

Alguns críticos da vossa proposta dizem que é uma pressão emocional mostrar uma ecografia à grávida que equaciona o aborto. Podemos enganar as mulheres e dizer "não se passa nada, não vais fazer nada". A outra hipótese é dar-lhe todos os elementos. Nas associações de defesa da vida, quando proporcionamos à grávida que está a pensar abortar o acesso a uma ecografia e ela constata que a partir das nove semanas já bate um coração, muitas desistem – tomam consciência da humanidade do seu feto, da sua criança, que até àquele momento não lhe era completamente evidente. Às vezes, as mulheres decidem na mesma ir abortar. Mas isto é não fazer o que muitos estabelecimentos públicos e privados fazem: desliga-se o som da ecografia e vira-se a imagem de tal maneira que a mulher não a veja para que não tenha total consciência do que é o aborto. Quando mais tarde descobrem, os efeitos na sua constituição psíquica, no seu ânimo, são fatais. É evitar à mulher esse trauma futuro. 

A vossa iniciativa legislativa não pede um novo referendo. Mas é um primeiro passo? O aborto é uma realidade dramática. O primeiro objectivo é que continue a ser um tema do debate público. Em relação à iniciativa, tem as propostas que fazem parte dela e não outras – não existe um propósito escondido nesta iniciativa, se não que o tema continue a ser objecto de debate público. Se existirá mais tarde um referendo sobre esta matéria em Portugal o futuro o dirá.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

sábado, 10 de janeiro de 2015

O homem e a exterioridade

 
 
"O homem, como os seus próprios órgãos genitais, parece estar condenado a uma espécie de exterioridade. Nesse sentido, encontra-se fora de si, está como que fadado a um exílio. A metáfora é oportuna para mostrar que a sexualidade masculina tem uma enorme propensão a não ser amor e a fazer da mulher um objeto sexual. O homem está voltado para fora e a janela através da qual a alma do homem sai, em seu "exílio" pelo mundo, são os olhos. 
Tendencialmente, o homem é um voyeur, alguém que procura o prazer através do "ver", da visão. Por isso a pornografia é uma doença eminentemente masculina, ou seja, quem vê fotos e vídeos de mulheres nuas são homens e quem vê fotos e vídeos de homens nus, são homens também. 
O homem tende a ser um caçador, está sempre à espreita, à procura, com os olhos aguçados. Portanto, a cura do vício da luxúria, para o homem, passa necessariamente pela cura do olhar. É preciso ordenar o olhar de modo que não enxergue a mulher como um objeto
A fé se faz imprescindível nesse processo. É necessário um olhar que enxergue o sobrenatural na mulher, pois se isto não acontecer, dificilmente ela deixará de ser, para o homem, um objeto a ser conquistado; dificilmente ele a amará. 
Dentro do viés teológico oferecido por São João Paulo II, é necessário que o homem, ao olhar para uma mulher, enxergue nela o santuário da vida, o lugar santo que não pode ser profanado. Metaforicamente, o esposo que está unido à sua esposa pelo sagrado laço do matrimônio, pode ser comparado a um sacerdote que entra num santuário. É o sacerdote que está autorizado a entrar no templo da vida. Para tanto, deve estar imbuído de todo respeito e reverência que um lugar "santo" requer. Por esse motivo, uma mulher não pode jamais ser tomada como uma coisa, ser tida como um objeto, muito menos descartada, como se nada valesse. 
O milagre da vida, Deus o realiza no corpo da mulher. Quando o óvulo é fecundado pelo espermatozóide do homem, naquele momento Deus age, Deus cria do nada uma nova vida. Há nele, portanto, uma sacralidade única. Por esse motivo, o Diabo quer transformar o útero da mulher em túmulo, em lugar profanado, em lugar de morte, e não mais num santuário de vida. Cabe ao homem compreender o corpo da mulher nessa perspectiva. 
"Hortus conclusus - jardim fechado" [2], é onde o homem adentra. Sendo assim, há que se ter todo um cuidado, toda uma delicadeza, um respeito para com a preciosidade que subsiste naquele recanto. E uma das formas mais expressivas de virilidade é justamente a de o homem controlar a sua força. Usar toda a força que tem para proteger a sua companheira e, ao mesmo tempo, contê-la, para não vir a machucá-la: esse é o verdadeiro homem no relacionamento com a mulher. 
Além disso, todo homem maduro precisa desenvolver a paternidade. A cultura moderna, todavia, não está mais criando os homens para a paternidade (biológica ou espiritual). Pelo contrário, cada vez mais são louvados os ditos playboys e filhinhos de papai etc., que, quando se veem casados, sentem-se oprimidos e saudosos da antiga vida. 
De forma prática, a cura da luxúria passa pela realidade da família. Ao observar uma bela e desejável mulher, é preciso imediatamente imaginá-la como mãe e esposa. Quando se assiste a um filme pornográfico, é importante pensar que aquelas mulheres poderiam muito bem ser a sua mãe, a sua irmã, a sua esposa ou a sua filha, e que aqueles atos estão sendo cometidos por puro dinheiro, como um sistema de prostituição. Cabe ao homem, enfim, entender que amar é dar a vida: seja transmitindo-a biologicamente aos filhos, seja derramando o próprio sangue por sua família, sendo pai e esposo. Esse é o caminho. 
Já o caminho para ordenar a sexualidade feminina é um pouco diferente do masculino, conforme se disse. Enquanto o homem, por causa do pecado original, tende a usar a mulher como objeto sexual, esta tende a usar aquele como objeto afetivo; e enquanto o homem é um observador, um voyeur, a mulher gosta de ser observada. A castidade da mulher, portanto, está ligada à modéstia. 
A mulher precisa compreender, em primeiro lugar, o seu valor e o quanto se machuca ao seguir o mundo moderno, sexualizado. O valor maior da mulher não está em seu corpo, mas sim, em sua alma, em sua capacidade de amar. Com as mulheres os homens aprendem a amar. 
Relacionamentos baseados na estética, no corpo perfeito, não se sustentam, são fundados na areia, pois a beleza física passa. As mulheres vivem uma verdadeira tortura para manterem seus corpos perfeitos a fim de "atrair" os homens, no entanto, após se casarem, serem mães e envelhecerem, o que lhes resta? Plásticas, procedimentos estéticos, silicones, etc., tudo para permanecerem jovens. 
Por isso, em primeiro lugar, a mulher deve compreender que a pior coisa que pode fazer é se doar sexualmente a um namorado. Sexo não segura os futuros maridos. Sexo não é prova de amor, se for feito fora do casamento. 
Ora, como já foi dito, a sexualidade masculina, corrompida pelo pecado, é exteriorizada. Um homem consegue manter relações sexuais com qualquer coisa, uma mulher, um animal… Tudo pode ser objeto. Por isso, para o homem, ter relações sexuais com a namorada não é nenhum sacrifício ou prova de amor. Ele pode até mentir dizendo que sim, mas faz isso tão somente como arma de sedução.
A maior prova de amor que um homem pode dar a uma mulher, antes do casamento, é manter-se casto. Este é o verdadeiro sacrifício. É importante a mulher entender que se machuca quando mantém uma relação sexual que não significa nada afetivamente. Ainda que o parceiro diga que a ama, mande presentes, mantenha a farsa de "compromisso" (namoro, noivado…), a grande verdade é que depois do sexo ele se levanta e vai embora. 
Numa relação sexual, o homem diz com o corpo à mulher: sou todo teu! No entanto, isso é uma mentira, pois, além de ele se levantar e ir embora, para ter certeza de que aquela relação sexual não produzirá nenhuma consequência - como um filho -, ele recorre - e faz com que a mulher recorra - a um verdadeiro arsenal de métodos contraceptivos, transformando o útero da mulher "amada" num túmulo. As mulheres, por conta de tudo isso, vivem neurotizadas pela beleza e pela perfeição corporal. É claro que o corpo precisa ser cuidado, mas não como algo a ser exposto ou revendido no mercado. Importa revesti-lo com elegância, sabendo que ele vale muito menos que a sua alma.
Um dito popular afirma que, quanto mais se mostra o corpo, menos se vê alma; e, ao contrário, quanto mais se esconde o corpo, mais se enxerga a alma. Isso pode ser constatado, por exemplo, quando um mulher seminua dança em cima de um carro alegórico, no Carnaval. Ninguém, ao vê-la, pensa em sua inteligência ou em suas virtudes. Ao invés, ela se transforma literalmente num pedaço de carne. Sem segredos, sem mistérios, não há mais nada a ser mostrado. Ela revelou o seu corpo e escondeu a sua alma. Uma mulher que se veste sabendo qual o seu valor - ainda que não esteja coberta como uma freira carmelita -, por outro lado, tem a alma brilhando através de seus olhos".
Prefácio
Título Completo: Teologia do Corpo - O amor humano no plano divino

Autor: São João Paulo II

sábado, 3 de janeiro de 2015

O fanatismo da "ideologia do género"




Conhece Harald Eia?

Não?
Não está só.
A culpa é do igualitarismo radical que se abateu, como pensamento único, sobre a sociedade ocidental.
Passo às apresentações.
Em 2012, a Noruega, nação cimeira do igualitarismo, onde a maioria dos engenheiros continuam a ser homens e as enfermeiras mulheres, discutiu a decisão do Concílio Nórdico de Ministros que encerrou o Instituto Nórdico do Género, expoente máximo da “teoria de género”, base retórica do feminismo radical. Na origem do encerramento esteve o documentário “Lavagem de Cérebro: o paradoxo da igualdade de género”, exibido na NRK (a RTP lá do sítio), produzido por Eia, em que o carácter pouco científico da teoria foi exposto.  
E qual foi a estratégia de Eia para desmistificar esta linha de pensamento? Simples: colocar os estudos daquele instituto, que atribuem a desigualdade entre géneros a questões eminentemente sociais (cultura, educação, valores entre outros), frente a frente com o argumento biológico (genética e natureza humana) defendido por estudiosos da matéria nos EUA e no Reino Unido. O resultado do documentário dificilmente poderia ser mais demeritório para os primeiros, que a certa altura parecem embaraçados com a falta de sustentabilidade científica dos seus estudos.
Reformulo a pergunta inicial: o leitor acompanhou a polémica? Não?
Não se preocupe, em grande medida ela foi boicotada pela imprensa internacional. Aparentemente “hjernevask”, a password escolhida para ver o documentário on-line, que em norueguês significa “lavagem cerebral”, continua a fazer todo o sentido.

Blogger.
Graça Canto Moniz
Jornal "i"

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os novos desenhos animados

 

 

Henrique Raposo

Expresso, 2014.12.27

É confrangedor comparar as séries e livros infantis dos anos 80 com as séries e filmes dos anos 2010. Quando é que passámos a assumir que as crianças são idiotas? Para compreenderem o que estou a dizer, só têm de comparar qualquer série dos incontáveis canais de desenhos animados da TV Cabo com "Era Uma Vez no Espaço", uma das séries da minha geração. Apostando na aventura espacial, o seu autor (Albert Barillé) colocava questões profundas à pequenada: o que é a morte? O que é Deus? O que é o inimigo? O que é a democracia? Além da profundidade da substância, convém ainda destacar as diferenças na forma, que são ainda mais decisivas. Os desenhos animados de hoje têm um ritmo frenético; um plano não sobrevive mais do que três segundos; os miúdos não são treinados para pensar, mas sim para sentir. Ao invés, o ritmo de "Era uma Vez no Espaço" é lento. Aliás, para os padrões de 2014, esta série infantil de 1982 é lenta e silenciosa até para os adultos. Não, não estou a brincar: a profundidade e a secura narrativa de "Era uma Vez no Espaço" são estranhas para os adultos de 2014. O ritmo dos "CSI" é mais primitivo e pueril do que o ritmo pensado por Albert Barillé.
Qual é a causa da estupidificação em curso? A meu ver, o problema é a recusa militante do sofrimento, é a ilegalização da morte e da dor. Até a tristeza já é considerada uma doença. Traduzindo para linguagem cristã, o problema é a recusa da cruz. É a recusa da ideia de que a bondade só existe depois do sofrimento. É a rejeição da redenção como algo que só nasce após o confronto com o mal. Os velhos contos infantis (Irmãos Grimm, por exemplo) forçavam as crianças a um confronto direto com a maldade, com a morte, com a perda. A brutalidade desses contos era uma espécie de programa de vacinação moral que tratava as crianças como futuros adultos e não como eternos Peter Pan. Ao invés, os desenhos animados dos incontáveis canais infantis oferecem uma versão higienizada da vidinha. Não há mortos, dor, pais imperfeitos, doença ou verdadeira maldade, não existem ambientes negros e soturnos. Pior: já nem sequer há uma narrativa. Os desenhos animados estão a transformar-se em meros jogos interativos, didáticos e técnicos (ensinar a contar, por exemplo); não são histórias destinadas à imaginação moral dos miúdos, são repertórios de coisas "úteis" para o seu futuro escolar.
Mas, mesmo no sentido da utilidade escolar, esta cultura técnica e amoral só pode ser prejudicial. Porquê? Sem sofrimento, não se consegue alcançar nada digno de registo. Se é educado a fazer apenas aquilo que lhe dá prazer, um garoto nunca vai perceber o sacrifício que está a montante de uma carreira de médico, engenheiro informático ou escritor. No fundo, a cultura que ilegaliza o sofrimento nos desenhos animados é a mesma que diaboliza a memorização da tabuada; a sociedade que recusa confrontar os jovens com o conceito de pecado é a mesma que fecha os olhos à destruição das regras gramaticais. Acham que estou a exagerar? Então façam o favor de comparar "Era uma vez a Vida" com os filmes que a RTP, SIC e TVI transmitem durante este período das festas. A cruz faz falta.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Mais 28 mil novos processos de crianças e jovens em risco



Mais de 28 mil novos processos de crianças e jovens em risco foram registados este ano. O número, que ainda não está fechado, corresponde a casos acompanhados pelas 308 comissões espalhadas pelo país. Muitos casos estão relacionados ao direito da educação, violência doméstica, mas também há sinalizações porque a família não tem rendimentos.

À Renascença, o presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco lembra que as causas da sinalização não são novas: a crise económica associada, às vezes, à negligência, à violência doméstica, sobretudo a violência vicariante que envolve os pais e a que os filhos assistem. Mas também há o direito à educação, ou seja, o direito de concluir a escolaridade obrigatória até ao 12º ano.

Armando Leandro fala numa mudança cultural. “Há um aumento de sinalizações, que na nossa perspectiva não corresponderá provavelmente a um aumento de casos de perigo, mas a uma maior sensibilização para o dever de sinalizar. Não como um acto de denúncia, mas como um acto de amor às crianças”.

Existem ainda uma nova problemática ligada aos divórcios e às responsabilidades parentais – o conflito dos pais coloca em risco os filhos e obriga à intervenção dos técnicos.

Mas este responsável deixa um alerta: faltam meios às comissões. Os 175 técnicos anunciados no início do ano nunca chegaram e os que lá estão precisam de tempo para o exercício das suas funções.

Até meados deste mês de Dezembro, as comissões registaram 28. 387 novos processos a que se juntam os mais de 37 mil que transitaram do ano passado.

Segundo Armando Leandro, há casos de famílias referenciados durante vários anos, o que não devia ser assim, e outros que não deviam estar nas comissões de protecção mas sim nas entidades da primeira linha, da rede social, a acompanhar as famílias.

Armando Leandro está à frente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco há nove anos, mas assume estar pronto para ceder o lugar, em prol da reforma que está a ser discutida, a qual assenta na defesa da qualidade da infância.

FONTE: RR

O Luis e a Ana esperam o terceiro filho

O Luís e a Ana esperam o terceiro filho.
Não foi “programado” mas, já que “aconteceu” é bem-vindo. Os manos andam muito contentes, e na escola é motivo de conversa com os amigos o Pedro, que vai nascer no fim de Fevereiro (a Joana está no 4.º ano e o Mateus no 2.º ano).
A vida não está a ser fácil, com as dificuldades económicas que se fazem sentir este bebé vem trazer questões para resolver. A casa é pequena, o infantário é caro e a Ana não tem tido uma vida fácil no escritório onde trabalha. Mas a maior dificuldade sente-a a Ana porque o Luís está cada vez mais ausente. Vem tarde para casa… quase não fala, cumpre a rotina com os filhos sem grande entusiasmo… parece fugir…
Logo agora que mais precisava do marido. Com o avançar da gravidez tudo se está a tornar mais difícil. Às vezes discutem… por coisas sérias e por bagatelas. A Ana dá consigo a pensar: “Não foi para isto que me casei, não sei se ainda dá…”. Mas, logo vem outra tarefa que a chama à realidade.
O Luís diz que a Ana tem os nervos à flor da pele (que tem!) e por isso, afasta-se. A Ana está muito pesada (a gravidez aos 33 anos tem mais custos) e as tarefas da casa que lhe cabem, não são fáceis. Depois de um dia de trabalho no escritório, ajudar a Joana nos problemas de matemática é a “cereja no topo do bolo”.
No domingo, após o almoço, o Luís disse – “Amanhã é feriado – Nossa Senhora da Imaculada Conceição – é dia de fazer o Presépio. Podemos ir apanhar musgo ao pinhal”. A Joaninha sugeriu que convidassem as duas primas. E, “já que o tempo está de sol, podemos fazer um pic-nic ao almoço. Com frango assado e batatas fritas de pacote”, disse. A mãe ficou aliviada por ser menos uma refeição para pensar e, para fazer. Boa ideia!
Depois da missa lá foram todos para as cercanias da Serra de Sintra. Os 4 miúdos apanharam o musgo, correram, saltaram, subiram às árvores enfim, divertiram-se uns com os outros. A Ana estendeu as pernas e, embrulhada numa capa, ficou a conversar com o Luís sobre tudo e, sobre nada… Pelas 4 horas da tarde regressaram e deixaram as sobrinhas na respectiva casa.
Chegados a casa, mãos à obra, fizeram o Presépio. Enquanto os filhos iam colocando as figuras, o Luís pôs a tocar um CD com músicas de Natal. A Ana sentada, olhava e dava ordens.
Tocou o telefone, era a mãe das primas que agradeceu a tarde bem passada pelas filhas e desabafou: “Enfiei-me num centro comercial, estou com uma dor de cabeça, que o Presépio terá de ficar para outro dia…”.
Ali em casa era diferente. Havia uma exaltação nos miúdos e nos pais cumplicidade. Sentaram-se os quatro (ou os 5) a olhar para o Presépio, os filhos faziam perguntas: “É verdade que a estrela guiou os Magos?”, “Porque não abriram as portas a Nossa Senhora e a S. José?”, “Os primeiros a visitar o Menino Jesus foram os pastores? Porquê?”.
O Luís ia respondendo aos filhos. A Ana pensava no marido que tinha à sua frente, nas dificuldades, na letícia daquelas horas, no gosto de vencerem juntos os obstáculos e, na Esperança que todos têm neste bebé que irá nascer dentro de dois meses.
Querer ter uma casa maior, um trabalho mais fácil, um marido mais atento… querer ter mais dinheiro, mais tempo livre, mais descanso – são todas coisas boas. Mas ter este desejo vivo e ardente também é Bom. Viver nesta tensão é participar de algo Maior.
Afinal, a Felicidade faz-se de coisas boas e menos boas.
A Felicidade constrói-se fazendo o Presépio

Isilda Pegado, in voz da Verdade

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Pelo direito a nascer- apoio à maternidade

 
 
No panorama da intervenção pública desencadeada pela sociedade civil abre-se uma perspectiva de esperança com a Iniciativa Legislativa de Cidadãos lançada entre nós com o nome "Lei de Apoio à Maternidade e Paternidade – do Direito a Nascer", cuja campanha de recolha de assinaturas está em curso.
Com um mínimo de 35.000 assinaturas, o Parlamento deverá, obrigatoriamente, discutir e votar as propostas nela contidas. Elas visam alterar o regime actual de apoio à maternidade e à paternidade em vários aspectos, incluindo a regulamentação em vigor do aborto a pedido, ou interrupção voluntária da gravidez.
O direito a nascer antecede, por natureza, qualquer outro direito. Sem vida nenhum direito tem lugar. Está hoje acima de qualquer dúvida razoável que o ser que cresce no corpo de uma mulher grávida é um ser humano vivo. E, numa época dominada pela frieza das relações entre as pessoas, vale a pena lembrar que o afecto, a ternura, a tendência instintiva para a protecção que as crianças suscitam – e tanto mais quanto mais frágeis e dependentes! – só confirmam a sua natureza humana. Faz todo o sentido reconhecer a evidência de que os direitos da criança têm origem ante-natal e requerem como ponto de partida o direito a nascer.
É bom notar também que, sob o pretexto da liberdade de escolha (porque a criança, essa, não tem escolha), a mulher que aborta é, na realidade, deixada na maior solidão para tomar aquela que acaba por ser uma das mais amargas decisões da sua vida. Quantas vezes o faz violentando ou abafando o seu instinto maternal, não raro sob a coacção do companheiro ou familiares. Nem sequer lhe é dada a ver a ecografia do seu filho: não vá arrepender-se com a imagem da verdade – como deve ter pensado o legislador!
Seguramente haverá casos em que a pressão é de natureza económica e social. Mas foi para proporcionar uma oportunidade de vida às crianças cujas mães considerassem a possibilidade de abortar que, entre outras iniciativas, foi criada a Ajuda de Berço, na sequência do primeiro referendo sobre o aborto, em 1998, para apenas dar um exemplo.
A resposta às dificuldades tem de ser encontrada no caminho da vida, não da morte.
Porém, para além do drama individual da criança e da sua mãe, vale também a pena olhar para o drama colectivo (para já não falar da generalizada omissão do pai na equação).
Recapitulemos alguns números.
As autoridades da saúde – que mandam imprimir nos maços de tabaco o aviso “Fumar Mata” – informam que o número médio de abortos realizados a pedido da mulher nos últimos três anos foi de 19.000. Ou seja, no momento actual, morrem todos os anos – porque lhes é recusado o direito a nascer – tantas crianças quantas as pessoas transportadas por cem aviões Airbus 320. É como caírem dois aviões destes por semana! Ao fim de dez anos, equivale a riscar do mapa uma cidade maior do que Setúbal ou Coimbra. Uma hecatombe! Como se pode considerar normal (desejável!?) uma catástrofe destas? Caminhamos para o suicídio colectivo e não apenas o ignoramos como o promovemos.
Acresce que, num país com a mais baixa taxa de natalidade do mundo, assumem carácter vital de sobrevivência as medidas de apoio à família, especialmente às famílias numerosas.
Neste ponto têm algum mérito as alterações fiscais contempladas no Orçamento do Estado para 2015. Já não é sem tempo! As famílias são, por natureza, o ambiente próprio de acolhimento dos filhos que normalmente desejam e de que o país precisa. Em tempo de crise não é demais lembrar que a maior riqueza da sociedade são os seus cidadãos e as dificuldades agravadas pelo peso do fisco sobre as famílias não ajudam.
A nossa reduzidíssima natalidade não é, contudo, explicável apenas pelas dificuldades.
Existe também uma questão cultural de relevo, com uma alteração importante das prioridades de muitas famílias, em que a procriação foi remetida para um lugar secundário.
A globalização do consumo, na realidade, acentua o individualismo. A própria cultura prevalecente nos media que, tão capilarmente, penetra nas mentalidades só fortalece o egoísmo e a ambição da satisfação pessoal imediata. E, se é hoje corrente chamar a atenção para as responsabilidades sociais, seria bom que todos, das pessoas comuns às autoridades, dos jornalistas aos comentadores e aos responsáveis institucionais em geral, se lembrassem disso.
As gerações mais novas são insuficientes para repor as mais velhas e estas, entretanto, vivem mais tempo com o aumento da esperança média de vida que, felizmente, se tem verificado. O número de pessoas mais velhas e dependentes aproxima-se da relação de um para um, relativamente aos mais novos e produtivos. Percebe-se o problema das pensões. Todavia, ninguém deseja abandonar os benefícios do Estado social. Como?
Na situação actual, a interrupção voluntária da gravidez, mais do que despenalizada, é promovida. Mais de 20% dos abortos referidos são reincidências e todos – primeiros ou subsequentes – são integralmente financiados pelo Serviço Nacional de Saúde, ou seja, por nós, contribuintes, conferindo direito a uma licença de “parentalidade” de dezasseis a trinta dias, paga a 100% igualmente por nós, contribuintes. Isto, independentemente dos rendimentos da mulher que aborta.
Neste contexto, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos “Lei de Apoio à Maternidade e Paternidade – do Direito a Nascer” assume o carácter de uma proposta da maior relevância para o país a merecer acolhimento e aprovação parlamentar. Os interessados poderão encontrar mais informação e impressos para assinaturas em www.pelodireitoanascer.org.
Esta é uma inovação da maior importância e só podemos esperar que, não tendo havido passos dados neste caminho pelas autoridades, os deputados não desperdicem esta oportunidade de reverter uma das piores e mais graves tendências introduzidas na nossa vida social.
Comemoraram-se recentemente os vinte e cinco anos da adopção pelas Nações Unidas da Convenção sobre os Direitos das Crianças, que Portugal ratificou em 21 de Setembro de 1990. É uma boa ocasião não apenas para procurar estimular a natalidade como para proporcionar a Portugal a possibilidade de assumir um lugar pioneiro alargando entre nós, com o direito a nascer, os direitos das crianças.
Cardiologista pediatra, presidente da Assembleia Geral da Ajuda de Berço, ex-presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia Pediátrica

domingo, 14 de dezembro de 2014

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Defensor da liberalização do aborto em 2007, pede revisão da lei e da regulamentação

 
A actual lei do aborto está mal feita e devia ser reavaliada, defende o presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida em entrevista ao programa "Terça à Noite", da Renascença.
Miguel Oliveira da Silva sublinha que se empenhou a favor da despenalização, mas não se revê nem na lei, nem na sua regulamentação.
"Em primeiro lugar, pelo estatuto de objector de consciência, na situação de gratuitidade do aborto, a relação do aborto recorrente, não haver uma pedagogia em termos de planeamento familiar que seja correcta e dissuasora", argumenta.
Miguel Oliveira da Silva, que acentua o facto de continuar a ser favorável à despenalização do aborto, diz-se "objector de consciência em relação a esta lei".

Sobre a petição de cidadãos sobre "O Direito a Nascer", e manifestando a sua opinião pessoal, independentemente da posição formal do Conselho que preside, defende a reavaliação da lei à imagem do que acontece noutros países. 

“Em França, as leis ditas fracturantes de cariz bio-ético têm de ser revistas de cinco em cinco anos" e o mesmo devia ser feito em Portugal considera, "nem que seja para dizer ‘deliberamos, pensamos, reavaliamos e fica na mesma’".
Fonte: RR

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

domingo, 30 de novembro de 2014

REFLETIR QUANDO O TEMPO PASSA E O PRINCIPAL É ESQUECIDO




Por norma, os dias do individuo são passados numa correria e mesmo assim antes de adormecer fica com a sensação que muito mais havia por fazer. Dá primazia às coisas que no seu entender são as prioritárias mas serão mesmo?! Nem tempo há para pensar nisso, pelo menos por enquanto, talvez um dia, se esse chegar em que as forças físicas já não acompanhem os desejos e estes passem a ser totalmente diferentes.

            Porém, no meio da maioria e ainda bem que assim é, há sempre a minoria que tem uma atitude diferente perante a vida e sente-se feliz fazendo coisas que tocam no coração e uma delas é contar histórias.

            “Numa aldeia histórica, uma senhora que aparentemente parecia estar a passar por muitas dificuldades, caminhava com uma criança ao colo e ao passar frente a uma gruta escutou uma voz vinda lá de dentro que lhe dizia: “Entre e fique com tudo o que desejar mas não se esqueça do principal. Lembre-se de uma coisa depois de sair, a porta fechar-se-á para sempre, portanto aproveite a oportunidade mas não se esqueça do principal”.

            Ela entrou e ficou fascinada pois estava rodeada de ouro e joias maravilhosas. Colocou a criança no chão e ansiosamente agarrou tudo o que podia ajeitando o seu velho avental em forma de saco.

A voz misteriosa recordou-a que só restavam oito minutos.

Esgotados os oito minutos, carregada de ouro e pedras preciosas correu para fora da gruta e nesse preciso momento a porta fechou-se.

A expressão dela irradiava alegria pois estava muito rica, aquele ouro e aquelas joias eram muito valiosas. Mas a felicidade terminou logo a seguir no preciso momento em que se apercebeu que a criança tinha ficado lá dentro. Com todo o entusiasmo que sentiu esqueceu-se dela e a porta fechou-se para sempre.

A riqueza durou pouco mas o seu desespero, tristeza e sofrimento acompanharam-na para o resto da sua vida.

Não foi por falta de ser avisada assim como acontece no dia-a-dia dos indivíduos, mas o entusiasmo e a cegueira são tão fortes que não os deixam perceber o que realmente é importante.    

            Pode-se viver muitos anos e há sempre uma voz que direta ou indiretamente alerta para “não se esquecer do principal”. Há que ponderar e pensar no que realmente contribui para a verdadeira felicidade, a que alimenta o coração, Mahatina Gandhi’ já dizia que “Quando a alma está feliz a prosperidade cresce, a saúde melhora, as amizades aumentam, enfim o mundo fica de bem com você. O mundo exterior reflete o universo interior”.

Lança-se o desafio para quem ainda tiver tempo: imagine-se rodeado de dinheiro mas sem família e sem amigos para partilhar… sentir-se-á feliz?!

Os indivíduos são todos iguais mas todos diferentes por isso é que alguém disse “Algumas pessoas amam o poder outras têm o poder de amar”, mas convém não esquecer do que é “principal”.

 

anabelaviegasconceicao@gmail.com

Psicóloga Clínica

 

Textos de Novembro da nossa rubrica diária na Rádio Costa D'Oiro



Dia 4 de Novembro 2014- Terça-Feira

 

Um movimento de cidadãos está empenhado em mudar a regulamentação da lei do aborto, face à “crise de natalidade grave” que Portugal hoje enfrenta. Além de reclamarem que a interrupção voluntária de gravidez (IVG) até às dez semanas deixe de ser gratuita, propõem que as mulheres que estão a pensar abortar tenham um aconselhamento prévio feito por psicólogos e técnicos sociais e vejam e assinem as ecografias feitas para determinação do tempo de gestação.

Para atingir este objectivo, este movimento necessita de pelo menos 35 mil assinaturas para ser apreciada e obrigatoriamente votada pelos deputados.

A recolha de assinaturas será feita em locais públicos tais como à saída das Igrejas e Estádios de Futebol, mas também pode ser descarregada no site www.pelodireitoanascer.org

    

Dia 5 de Novembro de 2014- Quarta-Feira

 

Como diz D. Nuno Bráz o segredo é a alegria do dom da vida e essa é a descoberta que nem todos, infelizmente, têm a possibilidade de fazer.

Incapazes de enfrentar a vida com as dificuldades e sofrimentos que ela sempre traz, procuramos tantas vezes esquecer, voltar-lhe as costas, viver num mundo que alguém ou nós próprios imaginámos, criámos, numas horas de inconsciência vazia.

É essa vida que nos é dada, cheia de sentido a ser descoberto e partilhado – sentido para nós, para os outros e com todos – que vale a pena ser vivida, bem vivida até ao fim. Num caminho cada dia mais intenso.

É por ela e nela que vale a pena caminhar.

 

Dia 6 de Novembro de 2014- Quinta-Feira

 

A Associação Família e Sociedade vai realizar mais uma edição do curso de Métodos Naturais de Planeamento Familiar, nos dias 8 e 15 de novembro de  2014 (das 14h30 às 19h), em Lisboa, no no Auditório da Rádio Renascença, na rua Ivens, nº 14. 

A inscrição inclui, para além do curso teórico: documentação, entrevista com um médico e aconselhamento semanal ou quinzenal do casal, para reforço da aprendizagem durante 3 meses.

O Planeamento familiar Natural através do Método Billings e do Método Sintotérmico torna o casal apto a reconhecer, pela auto-observação, em que momentos é fértil ou infértil, de modo a orientar as suas relações conjugais conforme deseja conseguir ou adiar a gravidez. Tem como vantagens, entre outros, o facto de ser grátis e não causar efeitos secundários negativos no corpo da mulher, tal como acontece com a chamada pílula.

Caso seja necessário alguma informação adicional poderão contactar a Associação ao  email: familiasociedade@sapo.pt

 

Dia 7 de Novembro de 2014- Sexta-Feira

 

Para Sebastião da Gama ser poeta não é só uma função ou uma profissão mas um saber estar na vida em que é fundamental “saber olhar”

Por isso, como professor, o poeta Sebastião da Gama, escrevia no seu diário que, em relação aos alunos da escola "É preciso subtilmente deitar-lhes no sangue este veneno- não tanto para que gostem de versos ou saibam versos de cor, como para que olhem o mundo através da janela da poesia, para que beijem tudo graças a Deus, para que saibam olhar, para que reparem nas flores e nas ovelhas. Isto é que se quer que eles façam, sem respeito humano, pela vida fora."

Não é verdade que muitos dos problemas que o mundo e nós próprios atravessamos nos dias de hoje têm a ver com esta falta do saber olhar, esta falta do veneno bom que é a capacidade de nos espantarmos com tudo o que de bem há à nossa volta. ?

 

 

Dia 10 de Novembro de 2014- Segunda-Feira

 

Diz José Luis Nunes Martins que nos sobra pouco tempo para nos preocuparmos com o que merece a nossa atenção.

Andamos quase sempre muito preocupados com pouco.

Desperdiçamos demasiado tempo com assuntos pouco importantes.

O tempo limitado que temos neste mundo devia inspirar-nos a ser mais sábios na gestão das nossas prioridades.

Tendemos a desprezar, muitas vezes, o que é importante. Porque nos parece que temos sempre muitas preocupações e lamentos.

A vida não é para ser explicada ou compreendida. É para ser vivida e… bem vivida.

As adversidades como a morte, a doença grave ou uma tragédia mais séria, não se conseguem anular, faça-se o que se fizer. Elas só se vencem se as suportarmos e aceitarmos tal como são 

O silêncio e o discernimento, que se conseguem quando não há revolta interior, permitem-nos aceitar melhor as nossas dificuldades, escolher o caminho que queremos construir… enquanto vamos aprendendo a admirar as maravilhas deste mundo.


Dia 11 de Novembro de 2014- Terça-Feira

                  

Escreve a psicóloga clínica, Dra Anabela Conceição que “Já não existem amizades como antigamente” é uma frase que passa de boca em boca com alguma frequência e de certo modo corresponde à realidade de quem as vivenciou em épocas anteriores. Mas a sociedade mudou e os valores também se alteraram.

Vive-se num período em que a amizade é um meio para atingir um fim, um sentimento descartável; recorre-se a ela quando há necessidade, atropela-se, esmaga-se se for preciso e “deita-se no lixo” quando já não faz falta.

Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia o que o vento do esquecimento e do perdão se encarregará de apagar, porém quando ele nos faz algo de grandioso, devemos gravá-lo na pedra da memória do coração, que vento nenhum do mundo poderá apagar

 

Dia 12 de Novembro de 2013- Quarta-Feira

 Escreve Luigino Bruni que a recompensa pelos custos enfrentados para ser e permanecer leal é totalmente intrínseca; por isso, quem não tiver vida interior de onde brota a única recompensa não poderá tornar-se ou continuar a ser leal.

Se pudéssemos olhar mais em profundidade, os nossos amigos, esposas, maridos haveríamos de descobrir como por detrás do seu amor fiel e dos seus olhos bons  escondem-se, invisíveis e silenciosos, muitos atos de lealdade que deram fundamento sólido a estes relacionamentos fortes.

Esta lealdade-fidelidade decisiva devemos oferecâ-la reciprocamente até aos últimos instantes da vida, como a herança mais preciosa que deixamos às gerações vindouras.

 

 

Dia 13 de Novembro de 2014- Quinta-Feira

 

A declaração final do Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a família, no passado dia 18 de Outubro de 2014 diz o seguinte.

Assiste-se a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, de modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício.

Entre estes desafios queremos evocar também o cansaço da própria existência.

Existe, contudo, também a luz que de noite resplandece atrás das janelas nas casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos povoados e até mesmos nas cabanas: ela brilha e aquece os corpos e almas.

Esta luz, na vida nupcial dos cônjuges, acende-se com o encontro quando os dois vultos estão um diante o outro, numa “ajuda correspondente”, isto é, igual e recíproca.


Dia 14 de Novembro de 2014- Sexta-Feira

 

Como diz o antigo Papa João Paulo II, "O corpo humano na sua masculinidade efeminilidade quase perdeu a capacidade de exprimir esse amor, em que o homem-pessoa se torna dom, conforme a mais profunda estrutura e finalidade da sua existência pessoal .

A concupiscência é a desordem do corpo e do instinto.

O «coração» tornou-se campo de batalha entre o amor e a concupiscência.

Quanto mais a concupiscência domina o coração, tanto menos este experimenta o significado esponsal do corpo, e tanto menos se torna sensível ao dom da pessoa que, nas relações recíprocas do homem e da mulher, exprime precisamente esse significado. Quer forçosamente isto dizer que tenhamos o dever de desconfiar do coração humano ?

Não !Quer somente dizer que devemos mante-lo sob controlo".

 
 

Dia 17 de Novembro de 2014- Segunda-Feira

 

Diz José Luis Nunes Martins, vivemos num tempo em que o sofrimento é visto como algo vergonhoso. Em que as pessoas devem manter as suas dores sob controlo a fim de que os outros sejam poupados ao peso do que entendem não ser seu.…

Vivemos numa enorme tapeçaria de aparências: os egoísmos, disfarçados de coisas belas, escondem podridões... mentiras sempre assumidas de um modo diplomático e inteligente. Afinal, todos temos os nossos problemas – dizem.

Não quero que a minha tristeza estrague a vida de mais ninguém... tenho medo.

Mas é o medo que nos impede de sermos felizes.

Porque quem tem medo, não ama, e quem não ama não é feliz.



 
Dia 18 de Novembro 2014- Terça-Feira
 
   “Hoje não vou à escola”, é o novo livro do Psicólogo Eduardo Sá. Um livro muito reconfortante para muitos pais pois dá conselhos muito simples e opiniões que ajudam tanto.
    Muitas vezes no nosso dia a dia de correria e horas para tudo, atrasos, trânsito, birras.. há que pensar que tudo é normal. Respirar fundo, e calma.
   Mas também é verdade que muitas vezes o stress é causado por nós pais que queremos inscrever as crianças em várias atividades extracurriculares ou “pelos trabalhos de casa em formato XXL” como diz o psicólogo.
  Como diz Eduardo Sá “ a família é mais importante do que a escola e brincar é, pelo menos, tão importante como aprender”.
 
 
Dia 19 de Novembro de 2014- Quarta-Feira
 
  Recentemente soube se a notícia chocante de um assassinato de casal cristão, pais de quatro filhos, no Paquistão.
  O vaticano pronunciou-se sobre o facto e apelou a que se “mantenha o mínimo de humanidade, de solidariedade” apesar das divergências religiosas.
 O homem é capaz de facto de atos o mais atroz possível. Num mundo moderno e progressista, há atitudes e notícias que nos chegam que causam tamanha incredulidade.. Como é possível? No sistema de ensino das sociedades atuais deveria ser obrigatório mais disciplinas de humanidade, mais horas de educação para a cidadania, educação musical que gratifica, que desenvolve a sensibilidade, a criatividade,.
Mudar o mundo depende de cada um, depende de valores que deveriam ser ensinados de forma mais marcante não só em casa, mas nas escolas.
 
 
Dia 20 de Novembro de 2014- Quinta-Feira
 
  O New York Times publicou recentemente um artigo impressionante a partir de entrevistas a duas mulheres indianas sujeitas a esterilização por imposição do estado.
 As organizações internacionais que defendem os direitos humanos, nomeadamente o direito reprodutivo, como a ONU ou a Amnistia Internacional ainda não se pronunciaram mas o que é facto é que na India se assiste a uma violação dos direitos mais fundamentais com consequências graves. Já morreram cerca de 13 mulheres devido às condições desumanas como é feita a esterilização, sem salas cirúrgicas, sem esterilização e sem tempo de recuperação da anestesia.
 É importante estas notícias serem divulgadas de modo a que haja reação. É necessário sair em defesa de quem precisa de ajuda. Situações como esta são horrendas e têm de ser denunciadas. Quando tanto se fala em liberdade e direitos, há deveres que também estão associados. Deveres de defender e ajudar o próximo e de velar pelos direitos básicos do homem e da mulher.
 
 
 
 
 
Dia 21 de Novembro de 2014- Sexta-Feira
 
  É possível voltar atrás num processo de divórcio? Sim. Na china, por exemplo, numa reportagem recente, foi divulgado que três milhões de casais se divorciaram,
quase cem mil, tornaram a casar-se um com o outro. É possível acreditar no amor. Num amor feito de recordações e memórias que ficam para a vida toda. Vale a pena muitas vezes recordar como foi o primeiro beijo, como se conheceram, quando e onde começaram a namorar, o que fez com que se apaixonassem um pelo outro.
É verdade que a paixão tende a desaparecer, mas o amor fica e dura. Porque a paixão é esse sentimento repentino, que surge no despertar de um amor, de uma relação, mas o que constroi a relação, o que fica para sempre é o amor.
 
 
Dia 24 de Novembro de 2014- Segunda-Feira
 
   A morte de Brittany Maynard gerou polémica um pouco por todo o mundo, Esta jovem de 29 anos, pouco depois de se ter casado, descobriu que tinha um cancro no cérebro incurável e decidiu pôr fim à sua vida através da chamada “morte assistida” no passado dia 01 de Novembro. No vídeo que deixou antes de falecer a jovem afirma querer “morrer com dignidade”.
 A polémica é compreensível e a expressão “morrer com dignidade” ou só mesmo a palavra “dignidade” por gerar muitas discussões filosóficas. Discussões que são boas e sãs pois no fundo está em discussão o valor da vida. Até quando é que uma vida ou uma pessoa é digna? Até ao momento em que deixa de conseguir ser autónoma? A vida tem de ser defendida sempre embora haja, e é verdade que há, situações muito duras que só quem passa por elas é que sabe; mas a vida é um dom a proteger. Mais do que discutir se se deve promover este “morrer com dignidade” deveria sim, acabar-se com as situações de indignidade a que muitas vezes se assiste.
 
 
 
 
Dia 25 de Novembro de 2014- Terça-Feira
                  
  O sínodo da família decorrido em Outubro tornou a levantar a questão de se os recasados poderiam comungar ou os divorciados poderiam recasar. Entre o que se diz que se disse no sínodo e o que verdadeiramente se disse há grandes diferenças.
 Há verdades e princípios que se mantêm por serem verdade. Como tal, uma verdade não muda.
Num divórcio quem sofre acima de tudo são as crianças quando as há. A noção de família está ela própria muito desvirtuada e por isso mesmo mais do que pensar em soluções fáceis de como se separar e casar outra vez, deveria apoiar-se mais os jovens casais, mostrar lhes que é possível o casamento durar a vida toda. Há fases difíceis como em tudo na vida, mas com calma, com amor, com o tempo, tudo se resolve.
 
 
 
Dia 26 de Novembro de 2013- Quarta-Feira
 
  O casamento hoje está muito ameaçado. As relações muito ameaçadas. A própria palavra “fidelidade” parece não fazer sentido e quase que é expulsa da linguagem corrente.
 As causas são inúmeras e há que estar atento. Ser fiel é questão de princípio, de honra e de dignidade pessoal, para além de respeito para com  o próximo.
 Uma aparente troca de sms ou de mensagens no facebook podem não ter nada de especial, mas no fundo já são um indício e uma porta aberta para muita coisa.
 É preciso ter consciência que pequenos atos como estes são já uma infidelidade. Sms e mensagens no facebook sim, mas e porque não ao próprio marido ou mulher?
 
 
Dia 27 de Novembro de 2014- Quinta-Feira
 
 A vida da paquistanesa cristão Asia Bibi ainda não está fora de perigo. Depois de já ter tanto sofrido na prisão, de ter dado à luz na prisão, de ter sido condenada por adultério dado estar casada com um cristão… pode mesmo vir a sofrer pena de morte dado a sentença final ainda não ter sido pronunciada.
 Sete deputados portugueses saíram em sua defesa e escreveram uma carta ao primeiro ministro e ao presidente do Paquistão para que se ponha fim a esta injustiça e se respeite a liberdade religiosa, um dos direito humanos que infelizmente hoje em dia ainda não é respeitado.
 
 
Dia 28 de Novembro de 2014- Sexta-Feira
 
Mais aberrante que o aborto, é esta ideia que surge no corpo académico, de “aborto pós-nascimento”. Expressão de arrepiar qualquer um que tenha um mínimo de sensibilidade. Passamos a matar à descarada, sem vergonha, de forma perfeitamente desumana. Qualquer aborto é desumano esteja o bebé na barriga na mãe, tenha este acabado de nascer, mas o que assusta é pensar e verificar que a crueldade humana não tem fim e parece cada vez encontrar formas mais horrendas de fazer o mal.
 A vida tem de ser protegida, defendida, incentivada. Deveria sim fomentar-se o número de nascimentos por casais, facilitar a lei da adoção, ajudar quem quer sustentar a família e não consegue pelas cargas fiscais pesadíssimas, pela falta de emprego por tantos e tantos outros motivos.
 
Dia 01 de Dezembro de 2014- Segunda-Feira
 
O terapeuta familiar Peter Hansen afirma que “não há casamentos irrecuperáveis”.
Numa conferencia realizada em lisboa, este psicólogo dinamarquês afirmou que perante a crise, “ o importante é desdramatizar”.
 Desenvolvendo a ideia deste psicólogo, há que saber ver as dificuldades da vida com otimismo. Tem de haver vontade de parte a parte de lutar, de vencer as dificuldades. Hoje em dia é muito comum enveredar pelo caminho que aparentemente é o mais fácil, mas… alguma vez o mais fácil é o que nos satisfaz e o que nos faz sentir bem connosco próprios? Quando está na moda os desportos radicais e as experiências mais incríveis de auto superação, porque nos deixamos depois levar pelo mais fácil? Fica o desafio.